Toda ficção é a sombra de uma filosofia. “Tormenta Soturna” é o espaço onde a névoa se dissipa para revelar o esqueleto das ideias que sustentam meu universo. Aqui, não há personagens, apenas conceitos; não há enredo, apenas a anatomia da dor. Nestes ensaios, investigo os pilares da decadência moral, a natureza do niilismo que floresce após a perda e a complexa arquitetura da traição. É uma jornada intelectual ao coração das mesmas trevas exploradas na ficção, um convite para dialogar com o existencialismo, a culpa e a busca por sentido em um mundo que o nega.
Um Convite à Dissecação
Se os “Devaneios” são os fantasmas que assombram a casa, a “Tormenta Soturna” é a tentativa de compreender a sua arquitetura. Se as “Crônicas” são o sangue derramado, estes ensaios são o bisturi que investiga a ferida. Aqui, despimos a ficção de sua pele para examinar os ossos que a sustentam.
Este espaço não nasceu da necessidade de explicar, mas da urgência de questionar.
Por que a traição nos fascina com sua lâmina precisa? Como a beleza sobrevive — ou até mesmo se alimenta — da decadência moral? O que é o poder, senão a mais elegante das desesperanças? E o que resta da alma quando o niilismo a seduz, prometendo o alívio do vazio como a única paz possível?
Escrever sobre a escuridão exige que, antes, a encaremos sem adornos. A “Tormenta Soturna” é esse confronto. É o meu diálogo com os filósofos da melancolia, os poetas do desespero e os pensadores que ousaram mapear o abismo. Cada ensaio é um passo nessa tempestade interior, uma reflexão sobre as fundações que erguem meu mundo ficcional — o existencialismo, o peso da culpa, a transformação da dor em fúria.
Não venha em busca de respostas definitivas; elas são o ópio dos que temem a dúvida. Venha pelas perguntas. Venha pela beleza desconfortável que existe na análise fria de uma paixão, na lógica implacável de uma queda moral.
Este é um convite para pensar ao meu lado, para partilhar não a história, mas a tempestade que a precede e a alimenta. É um laboratório de ideias sombrias, onde a filosofia se torna tão visceral quanto o aço.
Afinal, para entender o monstro, às vezes é preciso sentar-se com ele e perguntar o seu nome.







