Vasta paisagem cósmica de uma nebulosa, onde nuvens de gás e poeira formam ondas e pilares em tons de fogo, variando do vermelho ao amarelo. Estrelas jovens e brilhantes, incluindo uma proeminente estrela azul no canto superior esquerdo, iluminam a cena.

Dentro da minha alma, há um vazio primordial, um caos silencioso e implacável, como aquele das antigas mitologias. É um vazio que consome tudo ao seu redor, como o vácuo sem fim que existia antes dos deuses, antes da luz, antes de qualquer forma de ordem ou beleza. Esse vazio é um abismo sem fundo, onde o nada se agita, desordenado e furioso, sem qualquer propósito ou razão.

Não é apenas a ausência de sentido; é um caos que se move incessantemente, uma força destrutiva que rasga o tecido da minha existência. Ele não busca nada, não deseja nada; simplesmente existe, corrompendo tudo o que toca, desintegrando qualquer esperança de encontrar paz ou entendimento. Como o caos primordial da mitologia grega, ele é o começo e o fim de tudo, um ciclo interminável de destruição sem criação, de perda sem possibilidade de redenção.

Esse vazio dentro de mim não tem direção. Ele não segue um caminho; é um errante que devora qualquer fragmento de certeza, qualquer vislumbre de luz que ousa brilhar. Às vezes, parece quieto, adormecido nas profundezas da minha alma, mas eu sei que está sempre lá, esperando o momento certo para despertar, para soltar sua fúria cega e insensata. Ele não conhece misericórdia, não tem compaixão. Apenas destrói, sem um objetivo, sem um fim que justifique o seu começo.

E em sua destruição, ele me deixa fragmentada, vazia, sem propósito. Como uma ruína antiga que já não sabe por que foi construída ou o que deveria proteger. Tento entender, tento encontrar um sentido nesse caos, mas tudo o que encontro são ecos do vazio, reflexos distorcidos de um nada que nunca se torna algo. Minha alma é como o universo antes do tempo, um lugar onde as possibilidades não existem, onde a desordem reina soberana, implacável e eterna.

Não há beleza no caos que habita dentro de mim. Ele é um vácuo sem esperança, uma escuridão que não promete redenção. Um lugar onde os sonhos se dissolvem antes mesmo de serem sonhados, onde a luz é devorada antes de ter a chance de brilhar. Ele é o fim de todas as coisas, o apagamento de qualquer traço de significado. E no seu abraço frio e impenetrável, sinto-me pequena, perdida, sem um caminho para seguir, sem um destino a alcançar.

Este é o vazio que reside em minha alma — um caos primordial, um nada que consome tudo e deixa apenas silêncio e escuridão em seu rastro. Uma destruição sem propósito, uma ausência que não pode ser preenchida, uma escuridão que nunca será iluminada. E, no meio desse abismo, estou eu, navegando sem rumo, perdida em um mar de sombras, sabendo que, para cada caminho que escolho, o vazio estará sempre à espreita, pronto para devorar qualquer esperança que eu ainda ousar guardar.

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