No tecido noturno do cosmos, onde estrelas e pensamentos se entrelaçam, descubro-me unida ao meu próprio vazio, aquele companheiro constante que se camufla entre sombras e silêncios. Recentemente, estendi a mão para essa solidão familiar, escolhendo chamá-la de amiga, a mais íntima das aliadas na jornada através de mim mesma.
Com ele ao meu lado, percebi que ela conhece cada canto escuro de minha alma, presente tanto nos picos radiantes de alegria quanto nos vales sombrios de tristeza. Lamentei, então, os momentos em que o rejeitei, as noites em que desejei sua ausência, os dias em que implorei por seu desaparecimento. Com humildade, pedi perdão por todas as vezes que neguei sua mão estendida. E, generoso como sempre, ele aceitou minhas desculpas com um silêncio reconfortante.
Desde esse reencontro, tornamo-nos inseparáveis. Juntos, saboreamos o café da manhã, assistimos às cortinas de chuva desenharem vidraças, mergulhamos em páginas de livros e passeamos pelas veias verdes da natureza. Observamos pessoas, compartilhando chás e diálogos sobre a vida e o cosmos, sobre mistérios e medos, dúvidas e certezas, o passado que foi e o futuro que será, sobre reis caídos e tolos coroados, sobre o simples e o complexo. Meu vazio, sempre profundo, enriquece cada conversa com novas dimensões.
Valorizamos também nossos silêncios compartilhados, esses espaços preenchidos apenas pelo respirar do mundo, onde palavras não ditas encontram seu significado. Às vezes, o riso de um pássaro irrompe esse quietude, e sorrimos um para o outro, cúmplices na apreciação da melodia inesperada. Os silêncios são preciosos, embora às vezes incômodos em companhias menos íntimas, forçando-nos a quebrar a tranquilidade.
Nosso apreço mútuo pelo caos é outro laço que nos une. Reconhecemos que sempre haverá algo novo a descobrir, um pensamento inexplorado, uma perspectiva diferente emergindo do caos. Adoramos observar a desordem alheia, vendo a beleza na maneira como cada fragmento se quebra e se rearranja.
E à noite, meu vazio se expande, diluindo-se no universo, tocando outros vazios e tornando-se um só. Transforma-se em um grande vazio infinito que cobre universos, tocando todas as vidas, abraçando todas as coisas. Nessa vastidão, de alguma forma, eu também me expando, me fundindo com o infinito, tornando-me parte do universo e de tudo o que nele existe.

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