Um vale de cores irreais é iluminado por raios de sol que atravessam copas de árvores em tons de dourado, vermelho e roxo. Um rio de águas calmas reflete a luz e a vegetação exuberante, incluindo pinheiros e flores coloridas. Ao longe, duas figuras escuras acompanhadas por animais semelhantes a cervos se movem em direção à cena principal.

Como é estranho e belo esse ser que eu sou — e que somos, todos nós — flutuando entre carne e sonho, finitude e vastidão. Sinto, de vez em quando, que me dividem em pedaços: um “eu” que corre contra o tempo e outro que observa, sereno, o sol se pôr na linha do horizonte. Nas minhas veias, pulsa a urgência da escolha: sou livre — mas livre sou para o quê? E, a cada decisão, descubro o peso frio da responsabilidade.

E esse eu fragmentado, tão capaz de amar com avidez e, ao mesmo tempo, de temer a entrega, nutre-se das contradições que me tornam, afinal, inteira. Sinto a pele arrepiar-se diante de um gesto de bondade e, logo em seguida, o coração acelerar de angústia — a tal tensão entre querer ser inteira e sem medo, e temer tanto a incerteza.

Me pego, em noites sem luar, contemplando o absurdo do universo que me envolve: é vasto, imenso, e, ainda assim, cabe inteiro num suspiro de encantamento quando ouço uma canção que me leva para além de mim. Será ali, nessa fresta entre o nada e o tudo, que crio meus próprios significados? Sou artesã da minha narrativa, pincelando memórias, fragmentos de sonhos e promessas de futuro.

Não estou só: agarro-me ao outro, tento sentir na pele alheia o calor que me aquece e, às vezes, me desconcerta. Essa dança entre união e solidão me faz lembrar que, por mais que busque conexão, me habita uma solidão fundamental — aquela que me obriga a mergulhar em mim, a reinventar-me a cada manhã.

E, nesse caminhar, descubro-me capaz de me transformar: rejeitar velhos hábitos, aprender uma nova palavra, reinventar um desejo antigo. Sou humana — esse ser irrepetível que, em cada respiração, tece significados, desafia limites e se maravilha com a simples existência de ser, aqui e agora, ponto luminoso de um todo infinito.

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