Um castelo de pedra com ameias ergue-se no topo de um penhasco escuro, de frente para um mar agitado. As ondas quebram com força contra as rochas na base do penhasco. O sol poente no horizonte cria um céu laranja e vermelho intenso, iluminando a cena.

Há dias que pesam como pedras sobre nossos ombros. Em certas manhãs, despertamos envoltos em um vazio profundo, carregando um peso que nos esmaga o peito.

Há manhãs em que o melhor que podemos fazer é nos manter firmes, não sucumbir, pois parece que nosso refúgio seguro desmoronou, deixando-nos à deriva na tempestade e no frio. Nada de particular precisa ocorrer; há dias que simplesmente amanhecemos despedaçados por dentro. Às vezes, a tempestade atinge sem aviso, deixando-nos fraturados, à deriva.

E nenhuma ação parece aliviar o peso. O dia inteiro se desdobra como uma cruel piada cósmica, onde cada gesto parece ampliar o caos, afetando tudo e todos ao redor. Parece um poder destrutivo que não conseguimos controlar.

Nesses dias, o ideal seria nos isolarmos, não fazer nada. Mas nem sempre podemos nos dar ao luxo. Temos responsabilidades, coisas que não podem esperar. Assim, enfrentamos o mundo desprotegidos. E embora frequentemente nos machuquemos, o pior é quando ferimos outros. Ah, isso sim é devastador, e muitas vezes não sabemos como reparar o que foi quebrado.

Em dias assim, sentimo-nos profundamente vazios, como se alguém tivesse nos esvaziado durante a noite, levando tudo, bom ou ruim. E nesses dias, parece que o mundo acorda irado conosco por termos nos perdido. Ele nos golpeia, fere e quebra, como se fôssemos alvo da ira de um deus.

Tudo que fazemos parece errado, pois sem o preenchimento interno, falta-nos aquele toque mágico que transforma o ordinário em extraordinário, que alinha tudo em harmonia.

Sem saber o que sentir, pois isso também foi perdido, esses são os momentos mais perigosos. O vazio atrai a escuridão, aproveitando-se da confusão para se instalar. As más influências encontram brechas e se aninham em nossas mentes, fazendo da desordem seu lar, e agimos mal, pois naquele momento, parece a única maneira possível. A raiva pode parecer aliviar a dor, mas só traz mais sofrimento.

Como saber, então, se estamos vazios como uma casa abandonada? Se a luz que nos guia se perdeu na noite?

Sem essa luz, tudo se confunde. Não distinguimos o bom do ruim, a melodia do ruído, o calor de um dia de verão de uma noite fria e escura, um sonho de um pesadelo, um herói de um fantasma. Somos apenas almas perdidas, vagando sem rumo, sem distinções, sem conhecimento.

Porque nos dias de leve tristeza, tentamos nos distrair, mas nos dias de vazio profundo, tudo que fazemos apenas amplia nossa dor. E se nem a música consegue abafar os pensamentos?

Existem dias e dias, mas nesses, o melhor é esperar, deixar passar com o mínimo de danos. Esperar que a raiva se dissipe, pois quando ignorada, ela se retira. Livres das sombras que turvam nossas mentes, começamos a ver com mais clareza e a organizar tudo. Primeiro por dentro, depois por fora.

À medida que arrumamos, as coisas melhoram. Pensamos com mais clareza, sabemos o que fazer, para onde ir. Aos poucos, tudo se esclarece, e percebemos que nada é tão ruim, que há sempre uma solução. Então, buscamos o bom e tentamos segurá-lo mais firmemente para que não nos escape na noite. Às vezes ele escapa, mas sempre vale a pena perseguir e trazer de volta.

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