“Cada vez que escrevo bem, algo em mim sofre uma dor sutil”, confesso em voz baixa, quase como se revelar isso pudesse tornar a maldição mais real. Em raros lampejos de júbilo e euforia, as palavras também fluem, coloridas e vibrantes. A felicidade, por vezes, se derrama nas páginas, mas esses momentos de alegria plena são breves, como estrelas cadentes cortando um céu noturno — belos, mas fugazes.
Contudo, devo admitir, na maioria das vezes, é na sombra que minha pena dança melhor no papel. Quando algo pesa sobre meu coração, quando há uma inquietação roendo as bordas da minha mente, é então que as palavras brotam com fervor. Elas vêm como um remédio para uma ferida interna, traduzindo em tinta as aflições que me consomem e que, de outro modo, permaneceriam indizíveis.
Talvez seja essa a maldição dos que escrevem — necessitar que algo esteja desalinhado para que a verdadeira essência das palavras se revele. É como se a discórdia interna nos movesse, dando ritmo ao nosso universo particular, mantendo as engrenagens de nossa criatividade em constante movimento. Ou talvez nós, os eternos sonhadores, estejamos destinados a viver em mundos que tecemos na quietude de nossas mentes, lugares que nunca se tornarão realidade, exceto nas páginas que enchemos.
Os textos mais tocantes que já escrevi vieram carregados de uma certa angústia, como se cada palavra fosse extraída com um custo emocional. É o preço que se paga pela arte que se quer autêntica e crua. Muitos podem considerar esse sacrifício alto demais, mas eu, embora às vezes relute, sempre acabo por pagar. E a cada vez, apesar das dúvidas e do cansaço, sinto que valeu a pena. Sim, a cada linha escrita, a cada página preenchida, há sempre um pedaço de alma que se entrega, mas é assim que meu mundo, por um instante, se alinha novamente.

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