Uma pessoa pequena, envolta em um manto, segura uma fonte de luz mágica que se reflete na água. Ela está em uma floresta de árvores gigantescas, cujas raízes maciças formam arcos. Ao fundo, uma cachoeira e uma névoa densa criam uma atmosfera misteriosa.

Dizem que quem não dorme, confunde a realidade com sonhos. Talvez haja verdade nisso, ou mesmo um paradoxo, pois aqueles imersos em sonhos, muitas vezes, encontram-se cativos de noites insones. Ruminando pensamentos dispersos, aguardam a alvorada para clarear as ideias e confirmar que tudo está bem, devolvendo-os à realidade.

A noite, afinal, é o domínio dos sonhos, sejam eles vividos com os olhos fechados ou abertos. Um tempo destinado à magia, às reflexões e fantasias, quando a escuridão e a imaginação, de mãos dadas, dançam uma valsa sem fim. Sob seu manto, os pensamentos ganham asas, voando para territórios distantes, às vezes tão longe que se tornam inalcançáveis.

Para os eternos sonhadores, o sono é um estranho, e seria cruel, penso eu, amputar as asas da fantasia justamente quando ela se sente livre para explorar. E, embora os pensamentos retornem nem sempre trazendo consolo, frequentemente carregam fascínio e encantamento.

Com o tempo, quem não dorme, de fato, começa a misturar sonho com realidade. O sonhar acordado torna-se essencial, e cada detalhe do cotidiano se agiganta, cada fragmento de conversa se transforma em épicas narrativas, e o trivial se reveste de arte. O mundo observado por esses olhos se expande, vibrante de cores e melodias, talvez não mais belo, mas certamente mais intrigante.

No entanto, essa visão única tem seu custo. Enquanto se vive em um cosmos interior fascinante, o mundo exterior continua seu giro, e muitas vezes, perdido nos minúsculos detalhes, você deixa escapar as grandes verdades.

Por minha parte, a preocupação com o convencional já não me atinge tanto. Não consigo, e não é por falta de tentativas, desprender-me desse enlevo. É pedir ao vidente para ignorar a luz: um instinto irrefreável, um chamado da natureza. Vejo o mundo através dos olhos de quem sonha — uma visão que me isola numa caixa raramente tocada por outros. Alguns se aproximam, mas raramente cruzam seu limiar, tal como me é difícil abandoná-la.

Isso não me perturba mais. Sei que minhas experiências serão sempre únicas e especiais, merecedoras de ser vividas plenamente. As diferenças deveriam ser exploradas, não evitadas; mergulhe nas suas singularidades, deixe-se consumir por aquilo que você ama, e viva intensamente a experiência que só você pode ter.

Os outros podem tentar reprimir isso, incapazes de entender ou de viver como você vive. Eles não encontraram ainda o que os torna especiais e, por isso, podem tentar encerrar em escuridão aquilo que é luminoso em você. Não é sempre por maldade, mas porque vivem em um mundo que ainda não descobriu as cores.

Portanto, não deixe que pintem seu mundo de cinza; eles nunca entenderão o que é ser você, ver suas cores ou sonhar seus sonhos. Isso é triste, sim, mas seria muito pior se você, influenciado por sua limitação, renunciasse à riqueza de sua própria experiência.

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