Era uma vez uma menina nascida num lugar onde o silêncio pesava mais que o vento.

O céu, naquele reino, era de um cinza que não mudava — nem ao amanhecer, nem ao anoitecer. As casas cochichavam umas com as outras, e as árvores tinham medo de balançar os galhos.

Mas quando aquela menina veio ao mundo, algo diferente aconteceu.

Não foi um trovão, nem um milagre.
Foi apenas um brilho.
Tímido, dourado, pulsante — bem no meio do seu peito.

Ela não sabia o que era.
Nem que era diferente.
Achava que todos carregavam aquele calor cintilante por dentro.
Por isso, ela corria. Cantava. Inventava músicas com nomes de pássaros.
Falava sozinha com as pedras do caminho e dizia que todas as flores eram suas amigas.

E quando ela ria — ah, quando ela ria —
as nuvens pareciam hesitar.

Mas os adultos do lugar não gostavam de hesitações.
Nem de risos que vinham do nada.
Nem de perguntas que não tinham respostas simples.

Eles a olhavam com um tipo estranho de pena e impaciência.

— “Essa menina brilha demais…” — sussurravam entre dentes e xícaras de chá amargo.

Mas ela não entendia.
Como algo que vive dentro de você poderia ser… errado?

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