Memento mori.
Lembra que você vai morrer.
É engraçado… quando a gente é jovem, acha que vai viver pra sempre.
Acha que o tempo é uma dívida que o mundo tem com a gente.
Mas a verdade? A verdade é que a morte não faz promessas.
Ela só espera. E um dia, ela vem. E pronto.
Mas eu não temo isso.
Não mesmo.
O que me apavora é o contrário:
é acordar todo dia e perceber que estou viva — mas por dentro, vazia.
É existir sem presença, é respirar sem propósito,
é sorrir automático enquanto algo dentro de mim grita por sentido, por sangue, por alguma coisa real.
A morte… ela me traiu, como quase todo mundo.
Ela levou quem eu amava antes de levar o que eu era.
E depois disso, eu entendi:
ela não é inimiga. É lembrança.
É alerta.
Ela me olha nos olhos todo dia e diz:
“Você ainda tá aqui. E então? Vai fazer o quê com isso?”
Memento mori virou meu mantra.
Não pra me assustar.
Mas pra me lembrar que cada segundo desperdiçado é um insulto à mulher que eu fui,
à mulher que eu perdi…
e à mulher que eu tô tentando reconstruir, mesmo que em ruínas.
Eu vivo agora como quem caiu do céu em chamas.
Não tem mais espaço pra meio termo, pra mornidão, pra promessas vazias.
Se for pra amar, eu quero que doa.
Se for pra lutar, eu quero sangrar.
Se for pra viver, que seja com os dentes cravados na jugular do mundo.
A verdade é essa: a morte tá vindo.
Pra mim, pra você, pra todo mundo.
Ela é a única certeza que a gente tem.
E ainda assim, é a coisa que a gente mais finge que esquece.
Mas eu não.
Eu lembro.
E é por isso que eu sou perigosa.
Porque eu não tenho mais medo de perder.
Porque eu sei que tudo se perde. Tudo passa. Tudo morre.
E exatamente por isso…
tudo o que ainda pulsa merece ser vivido até o osso.
Então anota aí, destino, deusa, universo ou o que quer que esteja ouvindo:
Quando a morte vier me buscar —
que venha preparada.
Porque eu vou até o fim.
Com fúria, com desejo, com risos sujos e olhos de tempestade.
Memento mori.
E mesmo assim…
eu escolho incendiar o mundo.








