Eu a amo e a odeio.
A desejo e a rejeito.
Ela me leva ao céu e ao inferno.
Ela já faz parte de quem eu sou.
Há noites em que ela chega como um cometa — branca, luminosa, prometendo mundos que não existem, mundos que só brilham rápido demais para serem reais. Toca minha pele como quem conhece meus atalhos, meus vazios, meus medos mais antigos. E eu cedo, quase sempre cedo, como quem encosta a testa numa porta proibida e a empurra só mais um pouco.
Mas o preço… ah, o preço.
Ela cobra em silêncio, primeiro.
Depois em feridas.
Há momentos em que ela me ergue tão alto que o ar fica fino, rarefeito, quase sagrado — e então, sem aviso, me larga. E a queda é longa, lenta, insuportavelmente consciente. Desço vendo os cacos do que fui girando no ar, como asteroides queimando.
E mesmo assim, quando ela se afasta, algo em mim treme.
Algo sussurra que a ausência dela também dói.
Que o mundo sem aquela luz falsa parece frio demais.
Que eu deveria saber melhor — mas não sei.
Ela me conhece por dentro.
Sabe exatamente onde apertar.
Sabe que, no fundo, eu busco fuga, silêncio, um instante de paz que a realidade não me dá.
E eu a quero.
E eu a temo.
Como quem deseja um veneno que traz alívio antes de queimar a alma.
No fim, talvez eu não a ame. Talvez eu não a odeie.
Talvez eu só esteja preso nesse labirinto onde a porta de saída e a porta de entrada são a mesma.
E cada vez que passo por ela, deixo um pedaço de mim para trás.
Mas continuo indo.
E voltando.
E indo de novo.
Porque certas coisas não são amantes.
São espelhos — distorcidos, cruéis, perigosamente sinceros.
E, ao olhar para elas, eu vejo tudo aquilo que tento não admitir.
E isso… isso é o que mais dói.

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