Com o tempo, a menina começou a notar coisas estranhas.

Sempre que ria alto demais, uma mão invisível parecia empurrar seu peito para baixo.
Sempre que corria como o vento, vinham olhos duros, como portas que se fecham.
E quando tentava mostrar sua estrela — com palavras, com desenhos, com danças sem música — ouvia sempre a mesma coisa:

— “Fale mais baixo.”
— “Sente-se direito.”
— “Isso não é jeito de uma menina decente.”
— “Você está exagerando de novo.”

As palavras não eram gritos, mas tinham pontas afiadas.
Eram ditas com sorrisos frios, como quem oferece chá com veneno.
E ela, sem entender por quê, começou a acreditar que talvez… fosse mesmo errada.

Nas ruas da vila, via outras crianças brincando. Algumas eram barulhentas. Algumas, bagunceiras.
Mas quando ela tentava fazer o mesmo, algo sempre dava errado.
Parecia que o mundo a via com outra lente.
Como se sua luz fosse… incômoda.

Então a menina começou a se calar.

Guardou suas músicas em caixas de sapato.
Escondeu seus sonhos debaixo do travesseiro.
E cobriu a estrela com camadas e camadas de silêncio e autocontrole.

Foi quando aprendeu uma magia triste:
a de caber.

Caber nas expectativas.
Caber nos moldes.
Caber nos olhos dos outros — mesmo que isso lhe custasse os próprios.

Mas à noite, sozinha em seu quarto, a estrela ainda sussurrava.
Baixinho. Como se dissesse:
“Ainda estou aqui.”

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